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Terezinha, recordista mundial, lembra que já correu 21km por R$ 100

Publicado em 28/03/2012 por em Esportes

Velocista cega e recordista mundial nos 100m, 200m e 400m rasos, Terezinha Guilhermina é uma das maiores para-atletas da atualidade. Indicada ao prêmio Laureus paralímpico de 2011, considerado o Oscar do esporte, hoje a mineira tem renda mensal em torno de R$ 30 mil. Mas sua vida nem sempre foi assim. Sem tênis no início de sua carreira, a atleta começou sua trajetória na natação. Foi a irmã que a colocou no mundo do atletismo ao dar de presente seu único par de tênis.

- Ela (a irmã) me deu o tênis. Na época, era o único que ela tinha. E comecei a correr e a treinar mais. Eu sou uma atleta velocista que já correu 21km para ganhar R$ 100 – explica em entrevista ao ‘SporTV Repórter‘.

Hoje, a venda personalizada nos olhos é um capricho que Terezinha pode ter. Após conquistar três medalhas em Pequim (ouro, prata e bronze), a velocista faz parte do “Projeto Ouro” lançado pelo CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), que contempla 14 atletas de elite. Recordista mundial em três provas, a mineira acredita que está no auge da carreira. E o segredo dessa performance está na infraestrutura.

- O Comitê ofereceu todo um suporte científico para trabalhar a minha condição física, tendo respeitada as minhas características pessoais biológicas. Eu sou uma atleta que adquiri muita massa muscular, diferente de muitos atletas.

Foto da atleta treinando, com a venda personalizada

Extrair do forte físico de Terezinha o máximo de seu desempenho é o trabalho de uma equipe multidisciplinar. A tecnologia, com estudos e pesquisas científicas, faz toda diferença na preparação da mineira. Com auxílio de fotocélulas, é possível cronometrar eletronicamente o movimento exato da atleta durante a corrida. Fisiologista da seleção brasileira, Gerson Leite ajuda o técnico da velocista, Amaury Veríssimo, a direcionar o treinamento de acordo com o resultado dessas avaliações.

- Hoje, nós fizemos um teste de aceleração, com trecho de dez metros, para saber como está a saída do atleta. Se precisa melhorar a saída ou não. Isto tem tido uma relação interessante. Temos feito algumas estatísticas e resultados com o salto vertical, que tem uma relação direta com a aceleração do atleta. Quanto mais alto ele saltar, mais rápido ele sai do bloco – explica o fisiologista Gerson Leite.

Terezinha, que nasceu com retinose pigmentar, uma doença congênita, perdeu a visão com o passar do tempo. Por isso, a velocista é acompanhada por atleta-guia durante as provas. E o rendimento de Guilherme precisa estar à altura de Terezinha, por isso ele também é avaliado. Os resultados mostram que a dupla anda muito bem entrosada.

- Depois que comecei a correr com a Terezinha, parece até brincadeira, mas meus tempos caíram para caramba. Eu melhorei 30%. Foi muito legal fazer os treinos dela, de uma pessoa que treina para alto nível. Eu fiquei feliz de estar melhorando o meu tempo e ajudando a Terezinha.

[ Fonte ]

 

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