Esse texto foi publicado originalmente no blog Acessibilidade na Prática e foi escrito por Frederico Rios. Eu estou reproduzindo o texto para que as pessoas possam entender que existe essa diferença entre o preferencial e o exclusivo.
As vagas para pessoas com deficiência são exclusivas, ou seja mesmo que não haja ninguém para ocupa-las, elas devem permanecer respeitadas. Já a maioria dos caixas de supermercados são preferenciais, então se não tiver ninguém nas condições citadas pode ser usada por qualquer cliente do estabelecimento, porém se houver fila e chegar algué nas condições essa pessoa deverá passar a frente.
Leia a matéria na integra para entender mais
Há algumas semanas, recebi de um amigo uma foto pelo Twitter. Tratava-se de um flagrante de desrespeito às vagas reservadas para idosos. O registro foi feito num supermercado de Campo Grande (MS), e a imagem estava postada num Tumblr.

Até aí, nada de novidade. Aqui mesmo no blog temos inúmeros posts de flagras de desrespeito às vagas reservadas. O que me intrigou foi o comentário de um cidadão sobre a foto. O comentário foi exatamente este:
“O Comper Jardim dos Estados tem muitas vagas para idosos. Não acho que seja errado, mas as vezes acontece de simplesmente não ter idoso o suficiente para ocupar todas elas. Nunca vou no mercado durante o dia ou manhã, mas durante a noite sempre tem pelo menos 10 dessas livres. Não estou dizendo que o cara está certo, mas se a foto tivesse sido tirada uns 2 metros para trás, talvez desse pra ver que não faltava vaga nesse dia (como você pode deduzir pela luz vindo da direita e pelo espaço aparentemente vago na esquerda).”
Espaços e mobiliários acessíveis são “reservados” às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, mas há diferença entre “preferencial” e “exclusivo”. Estruturas “preferenciais” podem perfeitamente ser utilizadas por pessoas sem dificuldades de locomoção, como por exemplo caixas de banco, assentos de ônibus e sanitários acessíveis. As vagas de estacionamento são estruturas “exclusivas” ao uso das pessoas que realmente necessitam delas, ou seja, cadeirantes, idosos e outros.
Tudo bem que nem todas as pessoas – como o cidadão do comentário acima – têm este tipo de informação. Mas será tão difícil assim entender a importância de uma vaga reservada para idosos e o porquê de não utilizá-la? Ora, se por exemplo uma pessoa está sentada num assento preferencial num metrô e um idoso entra no vagão, basta a pessoa levantar-se e ceder a poltrona. Mas podemos usar o mesmo raciocínio para o uso de uma vaga reservada (exclusiva) de estacionamento? Claro que não!
É por essas e outras que recebemos tantas fotos de desrespeito às vagas reservadas. Acredito que o problema não é falta de informação, mas falta de respeito. Infelizmente, certas pessoas só terão consciência da importância da acessibilidade quando precisarem dela.
Frederico Rios





